Arashi no Yoru ni wa [ 🐇 𝐊𝐮𝐫𝐚𝐫𝐚 #𝟎𝟏 🐇 ]


Guruguru! Kirakira! Ku-ra-ra! Hai! Pessoal, muito prazer, eu me chamo Clara Królik! Hoje também darei um orgulhoso RABITTO JAMPU! 

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Oiii esse está sendo o meu primeiro blog aqui, e curiosamente nele começarei uma história, que me inspirei na música arashi no yoru ni wa do stage de Theater no Megami do Team B. Quero poder fazer mais histórias assim, de músicas que já cantei no grupo, ou gostaria de cantar e transforma-las em histórias! Este é o primeiro capítulo de arashi no yoru ni wa, espero que gostem!!

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A frustração de Królik Kurara tinha um gosto amargo e silencioso, algo que ela engolia todos os dias há anos. Desde a época do ensino fundamental, o coração dela já tinha um dono: Michi Maruseru. Era impossível não ser cativada pela elegância natural dele. Os olhos rosa claros pareciam enxergar através das pessoas, e aquele cabelo perfeitamente dividido, metade branco e metade preto, dava a ele um charme descolado, quase irreal.

Mas o mundo não recompensa quem apenas observa. Sua melhor amiga, Hoshino Purin, foi mais rápida e infinitamente mais corajosa. Pouco antes da formatura, Purin declarou seus sentimentos a ele. Desde então, tornaram-se o casal perfeito. Um lindo e feliz casal que despertava em Kurara a mais profunda e sombria inveja.

Naquela tarde, o sol já começava a baixar enquanto Kurara, Purin e Hasegawa Mariya caminhavam juntas, voltando da universidade. O som dos passos misturava-se à voz animada de Purin, que contava, com os olhos brilhando, sobre a surpresa romântica que Maruseru havia preparado na noite anterior para celebrar um ano de namoro.

Kurara forçava um sorriso impecável, assentindo no tempo certo, fingindo uma alegria genuína. De certa forma, ela amava a amiga e queria vê-la bem, mas o ciúme queimava seu estômago. O clima piorou quando Mariya, com seu jeito sempre direto, soltou um comentário sutil: "Desse jeito, quando é que ele vai pedir você em casamento, hein?"

O riso envergonhado de Purin foi como uma agulha para Kurara. A conversa fluiu de forma leve até chegarem ao cruzamento onde precisavam se separar. Purin seguiria direto para o apartamento de Maruseru, enquanto Kurara e Mariya tomariam a direção oposta, rumo ao prédio onde ambas moravam.

Mais tarde, o céu adquiriu um tom cinza-chumbo. Purin estava em seu trabalho de meio período, no caixa de uma conbini local. Os noticiários já alertavam sobre uma tempestade violenta que se aproximava, e o vento frio começou a castigar as ruas. Como Kurara morava muito perto dali, o celular vibrou com uma mensagem da amiga: Purin pedia um casaco emprestado, já que o dia havia começado quente e ela não levara nada para se agasalhar.

Sem hesitar, Kurara respondeu que levaria. Pegou um agasalho no armário e caminhou até a loja. No entanto, ao empurrar a porta de vidro da conbini, o som do sininho pareceu ecoar em câmera lenta. Maruseru estava lá. O sorriso dele iluminava o espaço sob as luzes fluorescentes brancas. Ele também havia ido levar um casaco para a namorada.

— Kurara, me desculpe! — Purin disse rapidamente, com as bochechas coradas. — Eu não sabia que ele viria, não mandei mensagem para não incomodá-lo no trabalho...

— Não é incômodo nenhum — Maruseru respondeu, a voz calma e aveludada de sempre.

A loja estava vazia. Kurara apertou os dedos no casaco que havia levado, sentindo-se uma tola. — Não tem problema nenhum, Purin. Eu precisava comprar algo para comer, de qualquer forma.

Enquanto o casal conversava baixinho em sua bolha particular, Kurara caminhou até as prateleiras e pegou um melon pan. Assim que o pagamento foi registrado, o som estrondoso da chuva atingiu o telhado. A tempestade despencou sem aviso prévio, violenta e densa. Kurara foi até a porta e abriu seu pequeno guarda-chuva de precaução.

— Não precisa ir andando na chuva, Kurara — Maruseru ofereceu. — Eu te levo. É aqui pertinho e estou de carro. É mais seguro.

Purin concordou de imediato, preocupada com a amiga. Despediram-se rapidamente. Maruseru deu um beijo rápido em Purin, e Kurara acenou antes de correrem para o carro dele.

O trajeto era ridiculamente curto, menos de duzentos metros. Durante os poucos minutos dentro do veículo, Kurara manteve-se rígida no banco do passageiro. O som da chuva forte batendo contra a lataria abafava o silêncio entre os dois. As bochechas dela estavam levemente rosadas; estar sozinha com Maruseru, mesmo que por um instante, era o sonho que ela nutria em segredo.

Ele manobrou e desceu a rampa do estacionamento no subsolo do prédio dela, garantindo que ela pudesse desembarcar em segurança. Quando ele parou o motor e Kurara levou a mão à maçaneta, um pensamento intrusivo a paralisou. Não posso perder essa oportunidade. A tempestade lá fora era a desculpa perfeita.

Reunindo uma coragem que não sabia que tinha, ela se virou. — Maruseru... você não gostaria de subir um pouco e tomar um chá quente? Como forma de agradecer pela carona.

Ele piscou, os olhos rosa claros focando no rosto dela sob a meia-luz da garagem. Pareceu um pouco tímido por uma fração de segundo, mas acabou assentindo.

Subiram juntos no elevador, os ombros quase se tocando. Ao abrir a porta do apartamento, Kurara tentou soar casual: — Fique à vontade. O aquecedor está ligado, pode tirar o casaco e pendurar ali, se quiser.

Ele concordou em silêncio e tirou a jaqueta úmida. Kurara foi em direção à pequena cozinha para preparar a água, mas, antes mesmo de alcançar a chaleira, um estalo ecoou pelo prédio e tudo mergulhou na mais absoluta escuridão. A energia havia caído por conta do temporal.

A voz de Maruseru soou na escuridão, acompanhada de um leve riso. — Acho que o chá vai ter que ficar para depois.

Kurara sorriu, mesmo sabendo que ele não podia vê-la. Não conseguiam enxergar um palmo à frente do rosto. — Vou pegar uma vela — ela avisou, tateando o balcão.

Ela deu dois passos se escorando nos móveis, mas calculou mal a distância e acabou esbarrando direto no peito de Maruseru. — Ah, me desculpe! — ela ofegou, sentindo o calor do corpo dele através da camisa. — Não tem problema — ele sussurrou, a voz subitamente mais baixa, mais próxima.

O coração de Kurara martelava. Ela tateou a gaveta mais próxima, encontrou o isqueiro e algumas velas. Acendeu a primeira, e a pequena chama tremeluzente iluminou o ambiente com sombras dançantes. Ela colocou as outras em um candelabro sobre a mesa. A luz dourada e suave transformou a sala em um cenário intensamente romântico, isolado do resto do mundo pela tempestade que rugia do lado de fora.

Ela se virou para ele. As bochechas estavam vermelhas, fervendo. Era agora. Ela não podia perder essa chance, mesmo que colocasse toda a sua vida e suas amizades a perder. Mas antes que ela abrisse a boca para dizer qualquer coisa, Maruseru inclinou a cabeça. Um sorriso de canto despontou nos lábios dele, um sorriso que ela nunca tinha visto antes.

— Você não precisa ficar nervosa assim, Kurara — ele disse, o tom de voz calmo, quase calculista.

Ela travou. — O quê?

Ele deu um passo à frente, entrando totalmente na luz do candelabro. — Eu sei que você gosta de mim há muito tempo. Sempre percebi os seus olhares. Chamar para tomar um chá... era só uma desculpa, não é? Você me queria aqui.

Kurara sentiu o ar faltar nos pulmões, paralisada pela revelação. Ele sorriu um pouco mais. — Pode ficar tranquila. É recíproco. Eu só nunca tentei nada antes porque não tivemos a oportunidade certa.

As palavras dele caíram como uma âncora e a puxaram para o fundo. Ele sabia. Ele sempre soube. Com as bochechas queimando em um rubor intenso, a coragem final brotou de seu desespero. Ela soltou a voz, baixinho: — Eu sempre... sempre gostei de você.

Maruseru não esperou mais. Ele encurtou a distância, levantando a mão delicadamente para tocar o rosto dela. O toque era quente e firme. Ele selou seus lábios aos dela em um beijo profundo e sem pressa, quebrando todas as regras que mantinham o universo de Kurara no lugar.

Quando se afastaram alguns milímetros, apenas o suficiente para respirar, ele sussurrou contra a boca dela: — Esse vai ser o nosso segredo.

No fundo de sua mente, a voz da consciência gritava. Era a voz da moral, do arrependimento, o eco do sorriso de Purin na conbini. A voz ordenava que ela o empurrasse para longe agora mesmo. Mas Kurara não queria obedecer. Ela queria aquilo mais do que tudo.

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